Carta aberta a Daniel Piza

Artigo por , em 17 de março de 2010

Rio de Janeiro, 17 de março de 2010.

Pre­zado - agora pre­za­dís­simo - Daniel Piza,

desde a época de estu­dante de jor­na­lismo, no final do século pas­sado, eu conheço seu tra­ba­lho. Não que acom­pa­nhe cada passo seu, mas sei de sua  tra­je­tó­ria no jor­na­lismo cultural, dos pita­cos pelo mundo fute­bo­lís­tico e de sua consistente produção.

Mas eu não quero usar este nariz-de-cera para homenageá-lo, ou coisa pare­cida. Na ver­dade, o intuito desta mis­siva é expôr meu entu­si­asmo pela bio­gra­fia que você escre­veu sobre o nosso Machado.

Daniel, ao publi­car “Machado de Assis, um gênio bra­si­leiro”, você rom­peu a linha do tempo que separa a sua vida da vida do escri­tor. Não por causa do resul­tado da pro­funda pes­quisa his­tó­rica sobre o bio­gra­fado, seu tempo e sua cidade. Nem pelos aspec­tos téc­ni­cos e aná­lise da obra (que acres­cen­tam novos olha­res à já muito explo­rada obra macha­di­ana), tam­pouco pela fácil lei­tura que você proporciona.

Mas a grande tacada com esta obra, Daniel, foi que você se apro­priou do Machado. Cara, isso é foda. Você entrou, defi­ni­ti­va­mente, na his­tó­ria da vida (e memó­ria) do Machado de Assis. Como um dos 4 gran­des bió­gra­fos do Machado — cada qual em uma época dife­rente - você agora faz parte, ofi­ci­al­mente, da his­tó­ria do Machado de Assis.

Daqui 100 anos, em futu­ras pes­qui­sas e fes­ti­vi­da­des pela memó­ria deste nosso gênio, seu nome vai estar inti­ma­mente asso­ci­ado ao nome do Machado, assim como - por exem­plo - o nome de Lúcia Miguel Pereira sem­pre foi ligado a ele.

Com esta publi­ca­ção, sus­peito que você furou a fila do tempo e da his­tó­ria, para sentar-se muito pró­ximo de nosso Machado — e isso é muito inve­já­vel. Ana­cro­ni­ca­mente, você se tor­nou um amigo íntimo dele e cola­bo­rou para per­per­tuar sua memó­ria para uma nova gera­ção de lei­to­res, deste século XXI.

Cara, isso não é pouco. Não mesmo. É um grande feito, digno de uma pro­funda admi­ra­ção e de uma (sau­dá­vel, vai…) inveja. Você se tor­nou o grande bió­grafo moderno do Machado de Assis e, agora, você não é mais “ape­nas” um lei­tor e admi­ra­dor deste gênio. Mas, sim, você faz parte da his­tó­ria de Joa­quim Maria Machado de Assis e este fato, meu caro, é irrevogável.

Para­béns, Daniel. Espero que um dia eu tenha uma opor­tu­ni­dade des­sas para fazer algo defi­ni­tivo pelo Machado e - prin­ci­pal­mente — aproveitá-la tão bem quanto você fez: a ponto de con­se­guir cra­var algo con­sis­tente na rica (e viva) his­tó­ria deste homem que nós amamos.

Um abraço,

PH Fer­reira

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Comentários

Há 3 comentários.

  1. Mário Neto escreveu:
    17 de março de 2010

    Não li esta e nem as outras bio­gra­fias do Machado de Assis, então fico com a indi­ca­ção, PH. Abraço.

  2. Alexandre escreveu:
    17 de março de 2010

    É, igual ao Mário, tam­bém não li essa bio­gra­fia. Acho que, pri­meiro, ainda me falta ler a “obra com­pleta” do Machado, antes de ir pra essa tão elo­gi­ada bio­gra­fia. Abs…

  3. Leosfera escreveu:
    28 de março de 2010

    não é que nunca li esta bio­gra­fia de Machado, não li nenhuma. nem dele, nem de nin­guém (se não me falha a memó­ria). mas fica aquele comi­chão para saber mais do rapaz mulato que, pelo bri­lhan­tismo de sua prosa, mor­reu branco, e da cidade que se per­mi­tia então ares de fidal­guia, num período que se pode cha­mar o apo­geu econô­mico do Bra­sil, que viu ainda uma tran­si­ção bem mar­cada — do impé­rio escra­vista para a repú­blica “assa­la­ri­ada” — que machado retra­tou com sua fina ironia.

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